Jantar dos namorados
Lua cheia, copo vazio,
Mesa cheia, corpo vazio,
Boca cheia, papo vazio,
Barriga cheia, bolso vazio,
Assim foi o jantar dos namorados.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
segunda-feira, 11 de junho de 2012
No dia dos namorados
Após uma conversa ao pé do ouvido, o pé na bunda foi ouvido de longe. Ela descobriu no dia dos namorados que o pé de cabra era na verdade um pé de galinha.
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Pescador de ilusões
Com a roupa amarrotada e a cara passada mergulhei num uníssono lago de bom dia, professor. Respirava uma esperança ressecada e com a voz grave fui apertando a mão de cada um escamado. Abordado por um peixe de médio porte tive o sono afogado pela comparação com um pescador.
Então pensei cá com minhas barbatanas: É, sou mesmo um pescador de ilusões.
Então pensei cá com minhas barbatanas: É, sou mesmo um pescador de ilusões.
domingo, 27 de maio de 2012
Hotel cinco estrelas
Nunca fui de resolver meus problemas com os punhos cerrados de ódio e dedo em riste. Nem mesmo quando o peito tufava de juventude. Oceano pacífico em pessoa. As palavras, cujos poetas revestem de lirismo, essas sim são os sonhos de valsa que carrego comigo. Obviamente em algum momento da jornada tenha distribuído palavras farpadas caramelizadas de chocolate amargo.
Por onde passo pegadas de altruísmo vou deixando com a perene esperança de derrubar as barricadas construídas pelos soldados do egoísmo. É inebriado por esse amor ao próximo que caminho sem a vaidade do perfume, sem o lenço do rancor, sem o documento da empáfia.
Quero otimizar a fugacidade de minha estadia nesse hotel chamado vida. A hora do check-out aproximasse a cada celebração de aniversário trazendo consigo a prata no cabelo, pés de galinha e a dor na ponta do bico de papagaio o que infelizmente não dificulta o pulo do gato e muito menos de subir no telhado. Vou aproveitar o parco tempo que tenho para ir pintando as estrelas do meu hotel. Tamanha efemeridade exige de minha parte que pinte cinco.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Para os amigos
Toda vez que fico doente penso que vou morrer. Uma unha encravada e já começo a me despedir dos familiares e amigos. Tem sido assim desde os cueiros, essa é a tônica, a crônica de minha vida. Tenho medo da morte desde quando tinha medo dos mortos, o que me garantiu vários conselhos de minha sábia avó: “Meu filho, tenha medo dos vivos.”
Ao passo em que esse temor cresce a morte me fortalece e me fortalecerá até o dia em que esse cara de pau aqui vestir o paletó de madeira. Minha missão? Deixar o meu sorriso no sorriso de quem por perto estiver, quero a profusão do amor, quero aliviar a dor.
Quero ser para os meus amigos férias em Natal, bloco dos sujos no carnaval, poema de Drummond, crônicas do Millôr, e como o Jobim, nunca perder o Tom.
Esse texto efêmero como a vida e simples como eu, despeço-me com: Valeu a pena!
PS: Então viva a vida, pois ela não nos dá a chance de PS.
sábado, 7 de abril de 2012
Coletivo
Na caravana da vida, conselho é cambada, congresso é corja. O fato, esse era de cabra, agora é de lobos... alcateia de engravatados.
E nós, um bando de cáfila, falange proletariado a viver em manada (ô vida de gado) a mercê da matilha de súcia.
terça-feira, 20 de março de 2012
A cura e a doença
O uniforme maculado de mediocridade carrega nas costuras as trevas da alienação. Eles cambaleiam sorridentes rumo ao cemitério de mortos-vivos. A farra do farto mundo vazio leva a dezenas de exonerações num parco período de tempo. E os doentes fazem hola cada vez que um World Trade Center de bagagem cultural desmorona-se nos braços do seu Duc.
O seu Duc não se incomoda e muito menos investiga tanto desmoronamento. Com mão de obra barata, ele constrói um novo prédio num fechar de páginas e traça as metas de novas conquistas. Metas ambiciosas. Conquistar noventa e um por cento de autômatos e dar cabo a não natural função de PENSAR. ( to be continued)
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