domingo, 19 de dezembro de 2010

Televisão


Televisão: Osteoporose dos relacionamentos familiares.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Mulheres que pintam os cabelos

Tenho certeza que com esse texto estarei pisando em campo minado. Serei jogado aos leões, apedrejado, vão me prender na solitária, serei condenado à tortura chinesa, cadeira elétrica, etc. Pois vou tratar de um assunto muito delicado. Mulher que pinta os cabelos.
O que falar de uma mulher que pinta os cabelos? Muitos logo dirão que se trata de vaidade, outros dirão que é uma questão de marketing pessoal, mudar é sempre bom, alguns falarão que é porque homem gosta mesmo é de mulher loura, elas são a preferência nacional.
Então vamos lá, vaidade. É considerada um dos grandes males da humanidade. Matamos por vaidade e morremos pelo mesmo motivo.
A vaidade é cheia de artifícios e se ocupa em tirar da nossa vista e da nossa compreensão o verdadeiro ser das coisas, para lhes substituir um falso e aparente.
Marketing. Por trás de qualquer jogada de marketing há sempre uma informação omitida, as letras miúdas que nós nunca lemos, ou seja, mente-se pra atrair o outro.
Mudar sempre é coisa de gente inconstante. O Raul Seixas adoraria, afinal de contas metamorfose ambulante era com ele mesmo.
Homem gosta mesmo é de mulher loura. Homem gosta de mulher, seja ela ruiva, morena, loura, negra, baixinha, gordinha, magrela, etc. Mas as que pintam os cabelos não são confiáveis, pintar os cabelos é dissimular, é querer ser o que não é.
Isso não quer dizer que não respeite as mulheres adeptas do coloramento, muito pelo contrário, tanto é que não as chamam de louras falsas, jamais, prefiro usar de eufemismo do tipo, aquela mulher é um falso cognato. É mais poético e dependendo do grau de instrução dela você ainda recebe um sonoro obrigado.
Descobri em uma pesquisa feita em dez países que tanto para os homens como para as mulheres o mais importante é ser carinhoso e sensível. Elementos como estes estão à frente de senso de humor, boa aparência e boa remuneração.
Então mulheres brasileiras lindas, vocês não precisam desse recurso, a beleza já está inclusa no pacote de vocês, a pele macia, o corpo desenhado caprichosamente, vocês são sublimes e belas por natureza.
Um beijo carinhoso pra todas vocês, inclusive para aquelas que batizei de falso cognato.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Sinalizar pra quê?

É surreal como o motorista amazonense não faz uso da comunicação não-verbal enquanto dirige. Nem mesmo o Fred Flinstones dirige assim. Essa frieza glacial dos motoristas nas ruas de Manaus pode ser letal tanto para eles mesmos como para os pedestres.
Do que adianta os carros virem equipados com pisca-pisca, pisca-alerta, triângulo, retrovisores, etc, se os motoristas não fazem uso deles. Sinalizar que vai dobrar a esquerda ou direita parece ser um ultraje a moral de tal motorista. Quem vem atrás tem simplesmente que vaticinar pra que lado o cidadão do carro a frente vai dobrar. E se é um taxista ou motorista de ônibus, o seu poder de adivinhação tem que ser igual ou maior que o da própria mãe Diná.
Até sugiro que os próximos carros a serem fabricados venham equipados com bola de cristal LED de última geração.
No trânsito de Manaus quase tudo pode acontecer, só não espere que os motoristas sinalizem, se comuniquem, avisem que destino eles tomarão – aí também já é querer demais, não é?
Agora uma coisa não podemos negar, o motorista amazonense é bom de buzina. Buzinar é com ele mesmo. A buzina tem o poder de abrir sinais, de desengarrafar o trânsito, é como se falássemos “abre-te Césamo”, e tudo se resolve, até o calor alivia depois de uma boa buzinada.
Só agora percebo a conotação sexual que uma buzina tem, pois, os motoristas adoram passar a mão, tocá-la, cutucar com o dedo, até aposto que tem motorista por aí que passa mais a mão na buzina do que na sua própria mulher.
Outra coisa que os motoristas desta cidade são bons é de comunicação verbal, ah, isso não podemos refutar. Discussões, bate-bocas, xingamentos, alguns gostam de chamar os outros de patriota, “Sai da frente filho da pátria!”, outros gostam de demonstrar o seu apreço por café, “anda logo com essa borra!”, e é daí pra pior. Uma fluência que não melhora em nada o andamento do trânsito, muito pelo contrário, só piora.
Então caro motorista, se vai dobrar, sinalize, se o carro ficou no prego, seja qual for sua natureza, comunique-se! Use o pisca - alerta e/ou triângulo. Faça mais uso da linguagem não-verbal. Sinalizar não contrai HIV, não paga multa, não dói e ainda evita acidentes.

domingo, 28 de novembro de 2010

Bom dia Vietnã

Eles desceram o morro encapuzados de cólera e descarregaram metralhadoras de ódio. Não há mais bala perdida, mas sim, muitas almas perdidas. A guerra já não é mais fria, a chapa esquentou, Rio quarenta graus, Rio... Teoria do caos.
A alegria típica do povo carioca deu lugar ao medo, ao pânico. Carros alegóricos deram lugar aos tanques de guerra, a comissão de frente usa capacete e se blinda atrás de coletes à prova de balas. O som do surdo fez-se mudo. O pandeiro se calou e deu voz ao pandemônio...O puxador de samba agora puxa corpos espalhados pela avenida, o mestre-sala agora faz sala em mais um dos vários velórios que acontecem paralelamente em meio aquele fogo cruzado.
A paz entre policiais e traficantes perdeu a harmonia, atravessou o samba, é o bem e o mal travando o braço de ferro mais sangrento dos últimos anos. Traficantes querendo transformar o Rio em mar vermelho e Polícia, em mar morto.
Dessa vez a bateria não entrará no recuo, a ordem é avançar, avançar, avançar. Que o mestre de bateria tenha peito e a coragem do capitão Nascimento, do contrário, muitos brincantes nascerão para a outra vida.
Torço e rezo para que o refrão desse enredo seja “...O Rio de Janeiro continua lindo...” e que na apoteose da vida vença sempre a justiça e a paz.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Amor Desbotado

A metáfora da morte surgira
À espreita da viva lua
Lágrimas amargas minhas
Lágrimas doces suas

A metáfora da morte presenciara
Os soluços dos dissabores
O cravo morrendo de amor
A rosa vivendo de amores

sábado, 20 de novembro de 2010

How I wish you were here

A distância tem um sabor amargo em princípio, e o tempo parece ser o adoçante que precisamos. Dias vêm, dias vão, o coração aperta, confrange e chora, muitas vezes chora silenciosamente, outras não consegue evitar que os olhos alaguem-se em público. É meus amigos, estou falando de saudade mesmo, esse sentimento paradoxical que nos devora as entranhas, mas que também nos enche de nostalgia.
A distância encurtou e em volta do seu rosto havia uma aura contagiante que veio acompanhada de um aperto de mão firme como quem queria dizer, “Porra, tava morrendo de saudades de você, meu irmão.” A atitude substituiu as palavras, uma vez que nós aqui de casa amamos de forma discreta, assim como os ingleses. Não somos muito bons com as palavras de carinho embora o coração esteja transbordando de alegria.
Cinco dias em Brasília, cinco dias pra eternidade. Lembrarei de cada coisa que fizemos juntos – só faltou o futebol – mas outras oportunidades surgirão, disso não tenho dúvida.
Sabe, às vezes fico meio confuso quando ouço o papai dizer que é bom que tu fiques por aí. Mas começo a entender e me conhecer melhor, cara como eu sou egoísta, é claro que entendo, mas meu egoísmo diminui meu lado racional.
Quando uma pessoa admira a outra ela costuma dizer a seguinte frase: Quero ser que nem você quando crescer. Eu cresci e não consegui ser que nem você. Mas tudo bem, também tenho minhas qualidades, menos visíveis é bem verdade.
O dia de voltar chegou e com ele veio aquele olhar triste, olhar de despedida, e despedidas doem pra cacete. Voltar pra casa é sempre muito bom, mas é melhor ainda quando todos que amamos estão por perto.
Dizem que homem não chora. Gostaria de saber quem inventou essa bobagem. É claro que homem chora, e já chorei algumas vezes de saudades. É dessa forma que consigo aliviar a pressão do aperto no coração. E hoje quando ouvi essa canção ( I wish you were here) lembrei de você e chorei como uma criança, então decidi escrever esse texto e fazer um apelo. Volta meu irmão!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Filha da Floresta

Teu sol murupi rompe a aurora
Carapanãs, caboclos, cunhãs
De suas malocas cedo vão embora

Tuas sumaumeiras ficaram cinza
Diante da urtiga de fogo da ganância
Cresceste, maninha, feito um curupira

Tua mata é onça d’água
Cobiça de anacondas estrangeiras
Até o encontro das águas
Quiseram te roubar sorrateira

Zagaias em mãos
Mapinguaris em trincheiras
Protejam a filha da floresta
Mana Manaus guerreira

Outro poema sobre Manaus, dessa vez com uma linguagem mais amazônica. Estou participando de um concurso de poesia realizado pela Academia Amazonense de Letras. Vamos ver no que dá!