sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O primeiro dia de aula a gente nunca esquece

Passos ansiosos rumo ao desconhecido mundo novo de quem nele está a pouco mais de três anos. A lancheira no ombro esquerdo combina com a bolsa Pink de rodinha da hello kitty em sua mão direita – ambas escolhidas a dedo por ela mesma. Auto-suficiente e destemida não se parece com o pai em nada.
O escorregador, o balanço, a casinha que ficam espalhados pelo pátio da escola lhe parecem muito mais atraentes que a confortável colorida e climatizada sala de aula. Oi coleguinha, é assim que ela chama a todos que estão uniformizados tal qual ela. Não importa o sexo, a religião, o estado civil, o poder aquisitivo, ela quer mesmo é socializar.
Soa a campainha e a molequinha branquinha de pernas roliças se direciona a sala de aula com um sorriso riscado na face como se fosse uma veterana. Lá vai ela ouvir estórias, fazer sua história, colorir suas tardes, desenhar seus devaneios, escrever seu futuro, lá vai ela pintar o sete, o oito, o nove. Lá vai ela... Sem lenço e nem documento.
Nesse momento o pai a deixa com o coração apertado. E Ela? Bom, ela fica com o coração aberto e jorrando alegria. Alegria é algo que transborda naquela menina. Para ela não tem tempo ruim e ficar quatro horas sem a presença dos pais por perto, imagino que deve ser o paraíso.
Agora é só a Larissa, não tem pai, mãe e nem irmão para protegê-la. Mas isso não parece intimidá-la o que de certa forma me conforta porque um dia isso será real em sua vida. Pois a vida fora de nossos lares é dura e cruel. Mas enquanto esse dia não chega vou enchendo aquelas bochechinhas de beijos doces. Ainda bem que ela não é diabética!

Sem ins(piração) para escrever, vai aí um texto redigido no início do ano.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Extremos




Não ouço a tua voz
Não sinto o teu perfume
Os extremos nos separam
O desejo nos une

Não vejo o teu rosto
Não sei o teu gosto
Mas sei que então...
Amor nenhum é em vão

O frio do sul
Reacendeu o meu calor
Corri pra varanda
Olhei no horizonte
E gritei o teu nome...

Vem pra minha cama,
Moldura de nossa insanidade
Vem pecar com quem te ama
Sob os lençóis da eternidade

Segundo um poeta local, dá pra fazer uma música dessa letra por conta de sua métrica. Alguém se habilita? rsrs

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Vinicius de Moraes





Vinicius, versus, Vinicius...
Seus sonetus, seus poemas...
Meus vícius.

Vinicius,
Seus versus de mim tão íntimus
Quisera eu ter o poder
De não deixá-lus fenecer.

Vinicius,
Perdoa-me pelo poema ínfimu.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Mãe dos deuses





Mãe dos deuses,
Teus expansivos olhos esmeraldinos
Nem de longe lembram o verde de outrora
Em meio à mata virgem descabaçada
Cresceste valente como um Ajuricaba
Já não és a pudica cunhantã da época áurea
Da Borracha perdida
Herdaste o palco da liberdade de expressão
Foste roubada...
Viraste uma Zona
Francamente! Felizmente
Robusta bonança
Da tua fauna aflora o sustento dos ribeirinhos
Quem de teus rios o jaraqui come
Amar-te-á amiúde como amiga e como amante
Mas carinhos inda te negam Mãe dos deuses,
Ainda que o bardo de branco decrete
Que o homem é um animal que ama


Manaus, 341 anos.

sábado, 23 de outubro de 2010

Discurso de Formatura

Lá ia eu começar mais uma aula de inglês em plena manhã do primeiro sábado de fevereiro de 2006. Olhos avermelhados pelo torpor de uma noite mal dormida, sono desenhado na face, e o friozinho na barriga natural do primeiro dia de aula. Friozinho esse que me acompanha desde a primeira aula que ministrei lá no ano jurássico de 1994. Quando não mais senti-lo, é porque o ato de lecionar já há de ter me lesionado.
Antes de entrar na sala uma ligeira prece rogando aos deuses da educação alunos com a mesma disposição e motivação que as minhas. Do contrário o semestre já estaria fadado ao fracasso.
Quando virei a maçaneta e coloquei meus pés naquele espaço que carinhosamente chamo de permuta de conhecimento tive minhas retinas encandeadas pelo brilho faiscante dos olhos ávidos por aprendizado daqueles quatorze quinze alunos.
Silenciosamente agradeci aos deuses da educação e risquei um sorriso no rosto. Então começamos a aula e por tabelinha começávamos ali a estreitar laços de amizade que nem de longe suspeitávamos que aconteceria.
Foi um semestre auspicioso. Diria mais, foi um semestre dos sonhos. Sempre pautado é claro na filosofia socrática – o diálogo. Transmissão de conhecimento meus amigos se dá através do diálogo. Quando a aula não era boa, as sugestões eram sempre bem aceitas por esse humilde educador. E quando vocês não correspondiam as minhas expectativas, meus conselhos sempre revestidos de muito carinho eram sabiamente bem aceitos por vocês também. Parafraseando Platão, o belo é o esplendor da verdade. E foi montado no cavalo da verdade que cavalgamos durante esses quatro anos.
Vocês não tiveram medo de mergulhar nas águas da aquisição de outro idioma. Engoliram água, bateram pernas, bateram braços, bateram cabeças – só não bateram boca - e espantaram todos os tubarões do comodismo e foram paulatinamente aprendendo a nadar. Os homens que me desculpem, mas creio que o segredo está na alma feminina da turma. Acho que poderia até chamá-las de Silmara D’arc, Mônica (Anita) Garibaldi, Martha Tereza de Calcutá, etc.
Mas os meninos, claro, também têm o seu valor. Com eles por perto a turma era ainda mais homo, calma meninos! Quero dizer ainda mais homogênea. Em suma, cá estamos festejando o sucesso de mais uma conquista e o mérito é todo de vocês. Daqui a pouco vocês vão atravessar aquele portão e um rombo se abrirá em nossos corações. Então encerro minha fala com versos de uma música do Lulu Santos. E quando vocês cruzarem aquele portão nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Lei de Talião

...E aquele lobo do homem vivia sob a lei de talião. Com ele era olho por olho e dente por dente. Pobre coitado, acabou cego e banguela.

terça-feira, 19 de outubro de 2010