sexta-feira, 31 de agosto de 2012
A contragosto
Agosto de augusto não tem nada. Mês que usurpa de nossos dias com o furor de um tornado. Assomo de coisas ruins. Nunca fui com a cara dele, eu o acho um mau caráter. Sempre aprontando das suas. Se dependesse dele, provavelmente duraria o ano todo.
E olha que meu pai comemora aniversário nesse mês, grandes amigos também celebram seus aniversários em Agosto, mas tenho cá minhas desconfianças que esse é o mês de aniversário do coisa-ruim. Quando ele faz a festa os convidados pagam as prendas. E pagam com fraturas, sangue, cheque especial, cartão de crédito e tal.
Tudo que envolve a palavra gosto eu não gosto. Quando bebo não como tira-gosto, quando recebo meu salário, que desgosto! Na minha casa sempre ouço da minha mulher: aqui é tudo do meu gosto, na sala de aula um monte de aluno a contragosto, rua recife até evito, ojeriza do hospital 28 de agosto.
domingo, 26 de agosto de 2012
Corri pro abraço
Dias pálidos se bronzeiam com abraços apertados, palavras verdadeiras, olhos nos olhos e conversa, muita conversa. Nada de bronzeamento artificial. Esse, vicia e mascara tal qual a felicidade etílica. Definitivamente, troquei as cápsulas de humor químico pelos tonéis de abraços desfibriladores.
quarta-feira, 25 de julho de 2012
No aeroporto
Microconto. Roberto corria em direção ao finger quando o telefone tocou. Com um oi turbinado ele atende. Aí, vamos sair hoje? Não estou na cidade. Roberto perdeu o avião.
terça-feira, 24 de julho de 2012
Furo de reportagem
Microconto. O repórter subiu o morro. Ele queria um furo de reportagem. levou um tiro.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Rio de Janeiro
Vejo um Cristo, me curvo.
Corcovado...
A encantar índios e gringos
No calor do teu regaço
Lindo tu continuas...
Corcovado...
A encantar índios e gringos
No calor do teu regaço
Lindo tu continuas...
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Único
Único. Que é só no seu gênero, na sua espécie. Muito superior aos outros de seu gênero ou de sua espécie; incomparável, ímpar. Que é só um. De cuja qualidade ou natureza não há outro. Exclusivo; excepcional. A que nada se pode comparar. Que não tem semelhante. Superior a todos os demais.
Bom, é assim que vocês do Terceiro 1 se adjetivam – terceiro único, sem o clichê do “Terceirão” tão comumente usado pelos alunos do último ano do ensino médio. Vocês deixaram o aumentativo para as emoções vividas no decorrer do ano. Os pré-universitários querem a intensidade do momento.
O que não é top vira motivo de tapas, fight. Top e fight, estrangeirismo incorporado ao meu vocabulário de tanto que as ouço, no entanto lamento informá-los, mas fight não é top, é brega. Deixem a violência para os fracos. E tem sido assim, dos choros as gargalhadas, dos afagos as unhadas o volume é sempre o mesmo. No máximo! Turma do barulho, do dominó, do futebol, turma do caralho!
Quando o espantalho do cansaço se aproxima para o abraço do estrangulamento (é) era na FM de vocês que sintonizo e assim reenergizo o corpo e meus vinte e um gramas de alma.
E quando o bicho pega pro lado de vocês, qual estação vocês sintonizam? Help! FM do povo, já que dizem por aí que a voz do povo é a voz de Deus. Eu até tento falar classicamente numa língua bárbara, porém é na aula de português que rola aquela química. Sinergia gratuita, admiração escancarada, me desculpem o pleonasmo, uma admiração admirável.
Mas tenho certeza do agradecimento de vocês aos outros membros do corpo docente da escola que a propósito, nunca fizeram doce e muito menos corpo mole quando o assunto é educação. Prepará-los para o nível superior seria um cheque sem fundo, um equívoco irreversível dentre as grandes possibilidades depositadas na conta de um educador. O golpe de mestre, o cheque-mate é prepará-los para vida.
Já estamos no meio do ano, o terceiro único daqui a pouco será coisa do passado, as brincadeiras pueris ficarão no bolso da memória juvenil e a trotes largos vocês caminham rumo ao trote universitário, a farra de boas-vindas a um mundo novo, porém não se enganem, a farra para por aí. Vocês ainda passarão muitas noites em claro estudando teorias, teoremas, tecidos, fonemas.
Quero finalizar meu discurso parafraseando um trecho de uma música do Lulu Santos que sintetiza muito bem a passagem de vocês pelo Melo e Póvoas, na verdade esses versos resumem a vida. Ano que vem quando voltarmos para essa escola, nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia.
Bom, é assim que vocês do Terceiro 1 se adjetivam – terceiro único, sem o clichê do “Terceirão” tão comumente usado pelos alunos do último ano do ensino médio. Vocês deixaram o aumentativo para as emoções vividas no decorrer do ano. Os pré-universitários querem a intensidade do momento.
O que não é top vira motivo de tapas, fight. Top e fight, estrangeirismo incorporado ao meu vocabulário de tanto que as ouço, no entanto lamento informá-los, mas fight não é top, é brega. Deixem a violência para os fracos. E tem sido assim, dos choros as gargalhadas, dos afagos as unhadas o volume é sempre o mesmo. No máximo! Turma do barulho, do dominó, do futebol, turma do caralho!
Quando o espantalho do cansaço se aproxima para o abraço do estrangulamento (é) era na FM de vocês que sintonizo e assim reenergizo o corpo e meus vinte e um gramas de alma.
E quando o bicho pega pro lado de vocês, qual estação vocês sintonizam? Help! FM do povo, já que dizem por aí que a voz do povo é a voz de Deus. Eu até tento falar classicamente numa língua bárbara, porém é na aula de português que rola aquela química. Sinergia gratuita, admiração escancarada, me desculpem o pleonasmo, uma admiração admirável.
Mas tenho certeza do agradecimento de vocês aos outros membros do corpo docente da escola que a propósito, nunca fizeram doce e muito menos corpo mole quando o assunto é educação. Prepará-los para o nível superior seria um cheque sem fundo, um equívoco irreversível dentre as grandes possibilidades depositadas na conta de um educador. O golpe de mestre, o cheque-mate é prepará-los para vida.
Já estamos no meio do ano, o terceiro único daqui a pouco será coisa do passado, as brincadeiras pueris ficarão no bolso da memória juvenil e a trotes largos vocês caminham rumo ao trote universitário, a farra de boas-vindas a um mundo novo, porém não se enganem, a farra para por aí. Vocês ainda passarão muitas noites em claro estudando teorias, teoremas, tecidos, fonemas.
Quero finalizar meu discurso parafraseando um trecho de uma música do Lulu Santos que sintetiza muito bem a passagem de vocês pelo Melo e Póvoas, na verdade esses versos resumem a vida. Ano que vem quando voltarmos para essa escola, nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Manaus, algemada pela violência
A violência nos atinge a queima-roupa. Queima roupa e compra um colete a prova de balas, conselho de amigo e dizem que conselho bom até do diabo a gente aceita.
Calibre 38 nas mãos de desequilibrados. Tambor cheio de balas tocando o terror na cidade do mormaço. A dança acaba com um corpo no chão maculando o asfalto de vermelho e os gritos do desespero. E o Dj que aterroriza a festa troca o CD e parte pra outra com a ameaça de fazer uma mixagem naqueles que se aproximarem.
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